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Blog de periclesluis | |||||||||||||||
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QUEM SOU EU Um arrependido por ser o que um dia quis. E nem me mandem mais caçar passarinho porque a consciência pesa. Certo que as armas hoje são mais acessíveis; mas quando menino o senso de maldade não pousava em minha longínqua inocência de criança. Naquela fase da minha vida, preparávamos as armadilhas com pequeninos pedaços de galhos, em pontas manualmente afinadas, e linhas que formavam um laço - preso a uma verga que se encarregava de puxar o barbante da emboscada. Não raro, encontrava-se algum bicho ainda vivo. Nessa hora, a felicidade efêmera de ter alcançado o objetivo de predador ofuscava-se diante da incansável peleja da presa que, em vão, tentava se livrar do seu algoz inanimado. Era, a contragosto, o indesejado momento de se torcer o pescoço da caça até a morte. E as rãs (na minha terra, jias), ao serem espetadas pelas lanças pontiagudas feitas a mãos, choravam como bebês que clamam pelo auxílio da mãe. Resignadas, não passavam de diversão temporária em um lugar onde a simplicidade da natureza era oferecida como suporte para a dinâmica de um povo. Hoje, o rio, onde banhava minha ingênua alegria, já não me atrai a ficar horas e horas em seu colo aquoso. Logo ele que antes tinha as águas puras como aquelas ações espontâneas de menino da roça. Sua formosura deu lugar à sujeira proporcionada por aqueles que um dia usufruíram de sua riqueza, mas que agora sugam sua vida. Ainda moleque, meus amigos eram poucos em um pequeno espaço. Agora, na imensidão do mundo, eles são ainda mais reduzidos. Ganhar espaço não é proporcional a adquirir amizade. E será que, quando voltar para o meu pequeno espaço, terei mais amigos ou retomarei os que ali já tive? Acho que não. O próprio espaço já não é mais o mesmo, e estamos em outros tempos. Os amigos de outrora seguem absorvendo o progresso do mundo, e este vai devorando o pequeno espaço em prol desse mesmo avanço. Antes só me importava a existência do meu mundinho, repleto de uma felicidade tão limitada quanto infinita. Agora, preocupa-me um universo de tristeza que não finda pela própria vontade de quem sofre – o homem. Assim, estando mais ciente do mundo, não consigo ao menos suportar a imagem de crianças desnutridas pela falta de alimento. Machucam a alma as informações tristes vindas em palavras escritas ou faladas; pois de tudo faço parte, e nada está sob meu controle. Uma coisa, entretanto, permanecerá irretocável: a lembrança de um tempo não tão distante. Pelo menos até quando a visão de futuro não nos fizer esquecer a importância do passado. Escrito por periclesluis às 17h22 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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