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Segredos do Ceasa O dormitório onde pouco se dorme*
Parte I
O Ceasa de vitória da Conquista reserva aos desavisados uma imensa quantidade de coisas inusitadas. A mais surpreendente delas é uma casa de prostituição disfarçada com o nome de dormitório. Quem freqüentar aquele ambiente vai se surpreender com as verdadeiras atividades escondidas atrás de aparentes serviços considerados normais. Localizado no segundo andar de um casarão, com dois pavimentos, sendo o primeiro uma loja onde se vendem produtos ligados ao café, encontra-se o “Galpão Drinks”. Este é o nome de um bar, visível apenas ao adentrar o dormitório, e no qual trabalham algumas garotas que “alugam” seus corpos para meia hora de prazer carnal ou, para ser mais claro, de sexo. Logo se nota, passando poucos minutos lá dentro, que não é uma casa de prostituição como outras existentes na cidade. O dormitório é aberto praticamente durante toda a semana, embora nos dois últimos dias seja mais freqüentado por conta da feira que acontece no sábado. Estive no lugar, pela primeira vez, em uma sexta feira às quatro horas da tarde quando já havia certa freqüência de clientes. Estes, em sua maioria, são pessoas que trabalham no Ceasa e fazem uso do dormitório para relaxar. Muitos deles só vão para beber, resistindo às insinuações das garotas da casa, e se embriagar ao som de músicas populares. Nesse dia, por exemplo, um grupo de amigos comemorava o aniversário de um deles. Estavam eufóricos, envolvidos pelo efeito do álcool e pela demasiada atenção que as moças lhes dispensavam. O aniversariante, que mal se agüentava em pé, parecia enamorado por uma delas, da qual não se desgrudava. No início, a moça tentava a qualquer custo levar o prestigiado do dia para o quarto, ao perceber o clima de festa existente entre o grupo. Depois de algumas horas, ela não se entusiasmava mais com a idéia de conseguir arrancar algum dinheiro daquelas pessoas, porém continuava ali, pois eles não a deixavam sair. As garotas do dormitório fazem de tudo para conseguir os vinte reais obtidos por trinta minutos de “amor” efêmero. São simpáticas, beijoqueiras e atenciosas até o momento em que sentirem a possibilidade de levar algum freguês para a cama. Por outro lado, ao vêem que não conseguirão nada com um deles, limitam-se ao trabalho de servir bebida no bar. No meu caso, fui alvo de insinuações veementes por parte delas. Mantive-me, porém, observando tudo ao meu redor, acompanhado de um copo com conhaque e de uma morena magra que não desistia de me tirar algum dinheiro. È difícil para um homem resistir a uma mulher sentada no seu colo, passando-lhe as mãos no corpo e outros artifícios de sedução feminina, apesar de tais moças não terem uma estética muito atraente. A comemoração do grupo de amigos foi a única coisa inesperada que aconteceu naquela sexta. * Escrita pelo autor do blog em meados de 2006 Escrito por periclesluis às 11h35 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Segredos do Ceasa O dormitório onde pouco se dorme* Parte II Em um dos sábados, que visitei o dormitório, atenderam-me duas moças das quais não me lembrava ter visto anteriormente. Segundo elas, ambas vieram de Itapetinga para passear na feira do Ceasa, e entraram no “Galpão Drinks” apenas com o intuito de diversão. Elas deixaram claro, contudo, que já eram garotas de programa na cidade de origem. Percebi, estranhamente, a tolerância das que trabalhavam há mais tempo na casa. Só depois de algumas perguntas é que soube, através de uma atendente do bar, como funcionava o trabalho de prostituição no dormitório: “Cobramos vinte reais por programa, oito fica para pagar o quarto. E quanto as duas primas de Itapetinga, dar muito lucro para gente ter elas aqui porque as novatas sempre atraem mais homens. Eles gostam das meninas novas aqui no bar e sempre sobra um para as que já trabalhavam aqui”, explicou. Em outro sábado, cheguei ao dormitório e me receberam com muita intimidade, resultado de uma seqüência de visitas feitas por mim àquela casa. Já sabia o nome de quase todas as moças que lá trabalhavam, inclusive das primas de Itapetinga. Por falar nestas duas, notei que só uma continuava no “Galpão Drinks”. A outra voltara para a sua cidade. A popularidade da moça que ficou, visivelmente, não era a mesma. Não recebia tanta atenção quanto no dia de sua chegada ao dormitório, e agia como as outras: fumava um cigarro atrás do outro, sempre com um copo de bebida, e atendia com o mesmo vulgarismo das veteranas. Os clientes não a tratavam mais como aquele “objeto de prazer” ainda intocado pelos outros fregueses da casa. Trabalham no dormitório, aproximadamente, nove mulheres e apenas um homem. Algumas argumentam estar lá pela liberdade que têm para ficar com quem quiserem, outras pela necessidade financeira. Muitas, entretanto, almejam se casar e construir família, coisa que raramente acontece. Surpreendentemente, uma das mais antigas prostitutas do “Galpão Drinks” foi levada por um engenheiro de Itapetinga que pagou todas as dívidas dela e com a qual se casou em seguida, conforme informações de uma das atendentes do bar. Elas sabem muito pouco sobre o marido da moça, mas disseram que ele se apaixonou pela garota em uma única visita ao lugar. A última novidade do dormitório é uma loira de corpo bem definido, oriunda de Minas Gerais. A moça chegara ao dormitório influenciada por uma prima que trabalha no local. No seu primeiro dia como garota de programa, a moça recebia a mesma atenção que aquelas duas primas de Itapetinga desfrutaram no primeiro dia de trabalho. Ela será, como normalmente acontece, apenas mais uma destinada à mesma sorte das mais antigas ou, quem sabe, sonhará também com a chegada de um príncipe encantado como, segundo elas, aconteceu com a moça levada pelo engenheiro. * Escrita pelo autor do blog em meados de 2006 Escrito por periclesluis às 11h27 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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