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Jornal-laboratório: da teoria à prática (artigo parte 1)
Resumo
A faculdade de jornalismo apresenta uma série de controvérsias quando se passa da teoria para prática. No jornal-laboratório, o estudante percebe que a objetividade, neutralidade e imparcialidade aprendidas em sala de aula, raras vezes (ou quase nunca), são possíveis. Paralelamente, sente na pele problemas que a ética e a hierarquia da redação podem causar. Além disso, o aspirante a jornalista passa a conviver com a triste sina que o jornalismo impresso tem de enfrentar em relação à concorrência com outros meios de informação. E, no final das contas, descobre que, apesar de todos os problemas, o jornalismo continua sendo uma das profissões mais apaixonantes que existem devido à grande responsabilidade social que desempenha no mundo atual. Palavras-chave: Jornal-laboratório; Oficina de Notícias; teoria; prática. Escrito por periclesluis às 07h12 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Oficina de Notícias e a teoria (artigo parte 2) Ao entrar para a faculdade de jornalismo, o estudante passa por um período de absorção de teorias que, em alguns casos, são apenas utopias do curso. Na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, os alunos da área têm a oportunidade de produzir no jornal-laboratório o Oficina de Notícias, colocando em prática todo o conteúdo teórico aprendido em sala de aula. O jornal laboratório é a primeira experiência que o aluno de comunicação social tem com o “fazer jornalístico”. Nele o aspirante a jornalista vê-se diante da chance de conviver com os problemas que normalmente ocorrem em uma redação de jornal, compartilhando-os com outros estudantes, futuros companheiros de profissão. É também nessa etapa que começam a aparecer controvérsias a respeito de objetividade, neutralidade, imparcialidade, e outros pontos discutidos em sala de aula. Com o tempo e com as primeiras experiências vividas no Oficina de Notícias, ser objetivo, neutro e imparcial foi perdendo o sentido. É impossível não ser subjetivo se quem apura e divulga os fatos é um sujeito. E sendo um sujeito, não há como agir igual a uma máquina fotográfica que tudo registra sem tomar parte Segundo Ricardo Noblat, em seu livro “A arte de fazer um jornal diário”, o jornalista gosta de trabalhar contra o tempo. No Oficina de Notícias, outro ponto que até então não passava de teoria, o deadline- tempo que determina o limite para entrega do texto -, não assusta como em jornais diários. Assim, esse não é um problema de muita importância, já que são apenas algumas edições por semestre. Dessa forma, o estudante tem um período relativamente grande para fechar sua editoria. Escrito por periclesluis às 07h11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] A pauta (artigo parte 3)
No mesmo livro Noblat afirma que “os leitores acham que o cardápio de assuntos dos jornais está mais de acordo com o gosto dos jornalistas do que com o gosto deles. E que a visão que os jornalistas têm da vida é muito distante da visão que eles têm”. Essa é uma verdade que a discussão de pauta confirma. Quando ocorria o debate sobre quais assuntos seriam abordados em uma edição do jornal, apesar das sugestões e críticas de cartas de leitores, nenhum deles foi consultado pelo Oficina de Notícias. Apenas os estudantes de jornalismo e a editora responsável pela produção decidiam o que o leitor iria receber através do jornal. A pauta, que deveria apresentar assuntos cujo maior interessado é o leitor do Oficina de Notícias, acabou abordando temas que mais convém aos estudantes de jornalismo. Isso talvez explique por que tantos exemplares do jornal são encontrados pelos cantos da universidade. É comum vê-los como pano de chão, forro de carro, entre outros propósitos que não representam o real objetivo de algo produzido pelo sacrifício de tantas pessoas. Embora o jornal circule em um meio, onde teoricamente a maioria dos leitores possui um mesmo nível educacional, a diversidade cultural da UESB torna necessário que o jornal abranja uma visão de mundo diferente daquela dos estudantes de jornalismo. Escrito por periclesluis às 07h09 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Problemas (artigo parte 4)
. O jornal impresso, em especial, já enfrentou diversas crises por causa da concorrência com outros meios de comunicação que inevitavelmente surgem: o rádio, a televisão e agora a internet. A maioria, no entanto, prefere manter o mesmo modelo de produção com lead e pirâmide invertida. O lead é o primeiro parágrafo de uma notícia ou reportagem onde devem ser respondidas as perguntas: “o que, quem, quando, onde, como e por que”. A pirâmide invertida é um modo de apresentar um texto, no qual o lado mais largo (a base) da pirâmide fica voltado para cima, pois as informações mais importantes devem vir no início. Ambos foram criados em uma época onde havia a necessidade de informar de forma resumida, dando prioridade à divulgação do que era mais importante. Atualmente, o jornal impresso enfrenta outras dificuldades como, por exemplo, a concorrência com a internet. Isso quer dizer que é preciso mudar a forma de “fazer jornalismo”, objetivando manter seus leitores e atrair outros, principalmente os jovens que têm cada vez mais a Web como principal meio de informação. No Oficina de notícias, nós estudantes ainda encontramos alguma liberdade para escrever de forma criativa e inovadora, ainda que de maneira limitada. Mas acesso livre à renovação mesmo só na elaboração de crônicas e artigos, porém nada que desse espaço a uma revolução na forma de produzir um jornal impresso, que é o que este precisa na verdade. É fato que o jornalismo impresso atravessa uma crise, principalmente com o surgimento de outros meios de informação. Para o estudante e aspirante ao ofício de jornalista isso é desanimador e ao mesmo tempo um incentivo, pois é uma chance de tentar renovar a forma de “fazer jornalismo”. Por outro lado, o jornal-laboratório ainda conserva uma maneira tradicional de produzir um jornal impresso. Isso é um empecilho que inibe a criatividade do estudante e o tornará, certamente, apenas mais um jornalista medíocre que informa de uma maneira padronizada. Escrito por periclesluis às 07h08 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Dura realidade (artigo parte 5)
Não importa se o que o jornalista divulgará vai de encontro ao seu gosto musical, cultural ou religioso. O profissional precisa entender que o jornal é produzido para os leitores, e que sem eles o jornal sequer existiria. Ainda no livro “A arte de fazer um jornal diário”, o autor afirma que “o jornalista que gosta de escrever só sobre alguns assuntos terá menos chances que outro capaz de escrever sobre qualquer assunto”. No jornal-laboratório há uma variação quanto ao papel de cada estudante no jornal, e em que editoria ele vai trabalhar. É preciso, por tanto, que o aluno aprenda a escrever sobre o que foi decidido para sua editoria, não importando a afinidade com o assunto. Na décima quinta edição do Oficina de Notícias pude perceber o quão importante é saber escrever sobre qualquer coisa. Empolgado por ter abordado na edição anterior um tema de forte cunho social, fiquei decepcionado quando tive que trabalhar com uma editoria pela qual não tinha nenhuma afinidade. Era preciso contentar-me com a função de apenas apurar e divulgar acontecimentos culturais que seriam realizados no período de circulação do jornal, já que eu era editor e repórter da editoria “Acontece”. Mas, como sabiamente afirmou em outras palavras Noblat, o que diferencia um bom jornalista de um medíocre é fato de este está limitado ao que lhe convém, e o outro ter a capacidade de abordar o que é de interesse do leitor. E não há nada mais prazeroso para o jornalista que ver alguém elogiar uma matéria sua, mesmo que não seja sobre um assunto pelo qual tenha afeição. Para tanto, é preciso tratar qualquer tema com a mesma importância e com a mesma dedicação. Escrito por periclesluis às 07h06 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Hierarquia e ética (artigo parte 6)
Um aspecto presente na produção de um jornal que preocupa e até irrita é o fato de o seu texto passar por mão alheias antes de ser publicado. O Oficina de Notícias, como qualquer outro jornal, tem uma hierarquia que o rege em toda sua estrutura. Isso causa uma aflição porque, segundo o décimo primeiro artigo do Código de Ética dos Jornalistas, o profissional será responsável por toda informação que divulgar desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros. Sabe-se, no entanto, que há um limite de espaço e de caracteres que poucas vezes correspondem à quantidade de informação contida no texto. Para isso, existem redatores, editores e diagramadores com autonomia para fazer com que o jornal saia de acordo com suas delimitações. E esse é, muitas vezes, o problema, pois ao passar por mãos de um segundo ou um terceiro, o texto perde informações que podem ser de fundamental importância para a veracidade da matéria. É importante acompanhar, se possível, toda produção do jornal para tentar garantir a confiabilidade de sua matéria. Na décima sexta edição do Oficina de Notícias, trabalhei com o tema “sexualidade”, pela editoria “comportamento”. Nada que mudasse o texto original aconteceu. As fotos, quando o jornal saiu, porém, já não eram as mesmas selecionadas em reunião na véspera da diagramação. Ou seja, a matéria tinha perdido a idealização visual que tínhamos imaginado para ela. A mudança não teve tanto efeito, mas poderia ter ocorrido alteração no texto e, eventualmente, ter arrancado do mesmo alguma informação importante que colocasse em dúvida sua veracidade. Percebe-se, entretanto, que na produção do jornal o debate é fundamental. É através dele que o profissional da área usa todo o seu poder de persuasão para concretizar idéias e sugestões de forma democrática, respeitando assim a ética e a hierarquia do jornal. Escrito por periclesluis às 07h04 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O prazer de ser jornalista (artigo parte 7) Sobre o alucinado ofício do jornalismo “Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada. Ninguém que não a tenha sofrido pode imaginar essa servidão que se alimenta dos imprevistos da vida. Ninguém que não a tenha vivido pode conceber, sequer, o que é essa palpitação sobrenatural da notícia, o orgasmo das primícias, a demolição moral do fracasso. Ninguém que não tenha nascido para isso e esteja disposto a viver só para isso poderá persistir num ofício tão incompreensível e voraz, cuja obra se acaba depois de cada notícia como se fora para sempre, mas que não permite um instante de paz enquanto não se recomeça com mais ardor do que nunca no minuto seguinte”. (Gabriel Garcia Marques) Essa citação de Garcia Marques encontrada em “A arte de fazer um jornal diário”, resume de forma inigualável o que significa o ofício de jornalista para o aspirante a tal função. Mesmo com tudo conspirando contra, o jornalismo é para o profissional da área uma dura e prazerosa responsabilidade social. E para cumprir de forma digna o seu papel é indispensável que o jornalista tenha amor pelo seu trabalho, pois este ocupa um tempo demasiado de sua vida, e nem sempre há uma compensação financeira que o incentive a continuar. Em meio a um mercado cada vez mais seletivo, onde as oportunidades são reduzidas gradativamente, o jornalismo requer muitos sacrifícios. Por outro lado, com o estudo de livros de nomes consagrados no jornalismo como Manuel Carlos Chaparro, Nilson Lage e o próprio Garcia Marques, pude perceber que sempre há lugar para os bons profissionais. É preciso, no entanto, que o profissional esteja sempre se aprimorando e diversificando seus conhecimentos para, dessa forma, encontrar razões de sobra para saber que escolheu uma profissão que talvez tenha a mais importante função no mundo atual: servir as pessoas, deixando-as informada sobre tudo que gira em torno de suas próprias vidas. Referências Bibliográficas: André, Alberto. Ética e Código da Comunicação / Alberto André. – 3. ed. – Porto Alegre: Sagra: DC Luzzatto, 1994. A arte de fazer um jornal diário / Ricardo Noblat. 2. ed. – São Paulo: contexto, 2002. – (Coleção Comunicação).
Escrito por periclesluis às 06h54 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O menino que virou homem Os poucos anos, até então vividos, não lhe permitiam entender as reações daquele corpo de menino e os desejos sexuais de homem no ápice dos mais puros instintos de macho. Em tudo, era igual a todos de sua idade; e, assim como eles, enfrentava os enigmas intrínsecos ao desenvolvimento de cada um. Ele sempre acordava com o órgão genital desinibido por mais uma noite de sono. Este, não raro, vinha repleto de sonhos com muitas perversões. A retenção urinária, reflexo de quem permaneceu indiferente às necessidades fisiológicas durante a noite, o faz parecer um garanhão prestes a executar o seu ofício. Vai ao banheiro e despacha o líquido contido em sua bexiga. O toque leve de suas mãos o provoca a realizar movimentos de vai-e-vem, buscando saciar as fantasias da noite mais atual. Eram devaneios com mulheres inexistentes e outras, as quais faziam parte do seu meio. O certo é que nenhuma estava imune ao registro dos seus olhos e ao desenrolar dos seus sonhos sexuais - ligeiros como a ejaculação precoce que tinha quando se encontrava frente a um corpo feminino. Tão novo e já conhecia as diversas formas de se relacionar. Nunca usufruíra, porém, as delícias que um corpo de mulher pode oferecer. Os filmes de orgia haviam lhe ensinado tudo que precisava na arte de sentir aqueles gozos relâmpagos, mas a prática ainda enfrentava a barreira do tempo. Ele só tinha doze anos. Logo veio a adolescência, e nos seus quinze, continuava perdido na busca incansável de se realizar como homem. Na escola e nas festas, envolvia-se com garotas - tantas quanto fosse possível. Não lhe dava prazer nenhuma delas. Gostava de passar aos amigos a quantidade de bocas diferentes que havia beijado em uma noite de caça. E se não acreditassem, ele não tardava em arrumar testemunhas. Aos dezessete, sua primeira relação sexual. Nada de noite romântica à luz de velas e doces melodias suavizando seus gemidos de prazer. Álcool, muito álcool, influenciando as reações humanas. Sexo inseguro, como a gula de quem não pensa nas conseqüências do amanhã. Na ressaca do dia seguinte, a satisfação da noite anterior mesclava-se com o temor da sua irresponsabilidade. Com o tempo, viu que a sorte o acompanhara em sua primeira vez. Com vinte e um anos de idade, já havia passado por muitas aventuras insensatas. Conhecia todas as casas de prostituição da cidade. Elas, por muito tempo, foram seu maior refúgio em períodos de nenhuma namorada; e mesmo com alguma, não rejeitava um convite para se embriagar com os amigos. A ressaca agora sempre vinha acompanhada de uma depressão. Pensava nas doenças sexualmente transmissíveis e em como havia exposto seu corpo a elas. Causava-lhe medo hospitais, exames de sangue e tudo que podia indicar qualquer vestígio de suas ações impensadas. Não queria ouvir sobre os males que infestam a humanidade. As campanhas de prevenção provocavam um medo incontrolável. Para ele, era melhor ser desinformado. O garoto de outrora lamentava tê-lo tornado “homem”. Era muito perigoso. E como homem, desejava voltar à inocência dos seus doze anos, pois lá os devaneios apenas faziam parte de uma fase sem preocupações. Queria voltar a ser aquele moleque pervertido que vivia a realidade entre sonhos e fantasias. O menino que virou homem descobrira que a verdade do prazer é efêmera, e que as conseqüências podem levar a um pesar permanente. Agora sabia que a realidade pode ser perversa. Viver de sonhos é mais seguro!
Escrito por periclesluis às 13h10 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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